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Plantas Calmantes: MARACUJÁ (Passiflora sp)

Saúde e bem-estar

Plantas Calmantes: MARACUJÁ (Passiflora sp)

esfitz
Escrito por esfitz em 04/04/2024

O maracujá, pertencente ao gênero Passiflora, é uma fruta amplamente conhecida e apreciada por suas propriedades alimentícias e medicinais.

Neste artigo, vamos explorar algumas das espécies mais comuns e suas características.

Nome científico

Diferentes espécies do gênero Passiflora são conhecidas como “maracujá”. O gênero abrange cerca de 500 espécies, sendo o mais diverso da família Passifloraceae.

No Brasil, as principais espécies comerciais são Passiflora edulis (o maracujá utilizado para o preparo de
sucos) e Passiflora alata ou “maracujáde-colher”, assim denominado em função do fruto apresentar polpa bastante adocicada, permitindo que seja consumido in natura.

Além dessas duas espécies, outras espécies também são conhecidas como maracujá, tais como Passiflora:

  • coccinea,
  • caerulea,
  • quadrangularis,
  • foetida,
  • maliformis…
Flor de Passiflora incarnata
Flor de Passiflora incarnata
Flor de Passiflora edulis
Flor de P. edulis
Flor de Passiflora alata
Flor de P. alata

Nomes populares

As espécies do gênero Passiflora podem ser conhecidas com diferentes nomes:

  • maracujá-amarelo;
  • maracujá-roxo;
  • maracujá-de-colher;
  • granadilla (países da América Latina);
  • passion fruit (fruta da paixão, nos países de língua inglesa);
  • maypop (países de língua inglesa).

Informações Botânicas

O gênero Passiflora abriga plantas, herbáceas, arbustivas e trepadeiras vigorosas, sustentadas por gavinhas e caules sulcados.

Algumas espécies têm folhas arredondadas, enquanto outras têm folhas profundamente partidas, com bordas serradas.

Suas flores, grandes e vistosas, variam em cor (branco-esverdeada a alaranjadas, vermelhas ou arroxeada), florescendo de dezembro a abril.

Os frutos arredondados exibem uma diversidade de cores (verde, amarelada, alaranjada, arroxeada ou com manchas verde-claras) e morfologias externas, com sementes pretas envoltas em um arilo gelatinoso de coloração amarelada e translúcida.

Predominantemente encontradas em climas quentes e úmidos, requerem solos férteis e bem drenados.

Histórico

As espécies do gênero Passiflora são predominantes nos trópicos do hemisfério sul, cultivadas principalmente pelo saboroso maracujá Passiflora edulis.

Seu uso ornamental também é notável, sendo conhecidas por suas flores exóticas e cativantes.

Desde o século XVI, pesquisadores têm explorado as propriedades medicinais das plantas Passiflora. Essas espécies são amplamente utilizadas na medicina tradicional, com destaque para Passiflora incarnata, documentada em várias farmacopeias:

  • Farmacopeia Britânica (British Herbal Pharmacopoeia),
  • NorteAmericana (United States Homoeophatic Pharmacopoeia),
  • Indiana (Homoeophatic Pharmacopoeia of India),
  • Helvética,
  • Alemã e
  • Francesa.

Já na Farmacopeia Brasileira, considera-se como o “maracujá”, tradicionalmente utilizado, a espécie Passiflora alata.

O nome “maracujá” deriva do termo tupi “murukuia” ou “marakuia”, que significa “alimento que dá em cuia”, referindo-se à polpa do fruto.

Associamos as cores mais frequentes das flores às cores oficiais usadas nos rituais católicos durante a Semana Santa: vermelho e roxo.

Além disso, associamos a coroa floral, com suas múltiplas e finas pétalas, à coroa de espinhos colocada em Jesus.

Os três estigmas florais, onde se localiza o pólen da flor, representariam os três pregos que fixaram e
sustentaram Jesus na cruz.

As anteras, órgãos sexuais femininos, em número de cinco, representariam as chagas de Cristo.

As gavinhas, caule modificado com a função de sustentar a planta e auxiliá-la a crescer rente a estruturas, representariam os chicotes utilizados para açoitar Jesus, e o fruto, por último, representaria o mundo que seria salvo por Ele.

Daí o nome pelo qual os diferentes maracujás também podem ser conhecidos, como “flor-da-paixão” ou “fruta-da-paixão”.

Usos populares

Embora diferentes espécies de maracujá sejam usadas para várias condições, todas são comumente recomendadas para ansiedade.

Assim, existem indicações populares para:

  • nervosismo de “condição de mulher” (associado ao período de tensão pré-menstrual),
  • “criança que não dorme”,
  • tratamento de convulsões (principalmente infantis),
  • ataque dos nervos.

Por exemplo, no Brasil, Passiflora alata é popularmente usada como:

  • sedativo,
  • diurético,
  • antiespasmódica,
  • antiasmática
  • ansiolítica e
  • analgésico…

…sendo a espécie Passiflora edulis a mais indicada pelas comunidades tradicionais brasileiras para o tratamento de condições nervosas.

Já a especie Passiflora caerulea é indicada como sedativo, ansiolítico e para problemas de pele.

Em outros países latino-americanos, a mesma espécie tem sido utilizada também como:

  • anti-helmíntica,
  • anti-diarreico,
  • tônico,
  • tratamento da hipertensão,
  • sintomas associados à menopausa,
  • nas cólicas infantis, além de sedativo e calmante.

Já a Matéria Médica Americana menciona o uso de Passiflora incarnata para o tratamento de diferentes formas de epilepsia e, na Europa, esta espécie tem sido a espécie tradicional de referência no tratamento da insônia e da ansiedade.

Dados quimicos e farmacológicos

Vários estudos analisaram a composição química dos extratos de Passiflora, revelando alcaloides, flavonoides, fenóis e compostos cianogênicos como constituintes principais.

Espécies como P. incarnata e P. edulis são as mais estudadas nesse sentido.

Em P. incarnata aparecem em maior quantidade:

  • flavonóides luteolina,
  • apigenina,
  • quercetina,
  • canferol,
  • vitexina,
  • isovitexina,
  • orientina,
  • isorientina

No entanto, apesar da ampla variedade de fitoconstituintes, houve poucos estudos farmacológicos sobre os efeitos das espécies do gênero Passiflora.

A maioria desses estudos focou nos efeitos dos extratos em parâmetros do sistema nervoso central, especialmente ansiedade.

As espécies mais estudadas incluem P. edulis, P. alata e P. incarnata, com metodologias experimentais variadas e resultados às vezes contraditórios.

No Brasil, foi realizado um estudo que demonstrou que a administração intraperitoneal do extrato de P. alata, em camundongos, produziu os seguintes efeitos:

  • diminuição da atividade motora induzida por anfetamina, um psicoestimulante;
  • aumento do tempo de sono induzido por barbitúricos, um indicativo de efeito hipnótico, promovendo o sono;
  • diminuição do tempo de latência do sono, fazendo com que os animais dormissem mais rapidamente;
  • e diminuição da mortalidade associada a convulsões induzidas por pentilenotetrazol, indicativo de efeito protetor contra convulsões.

Porém, outro estudo sobre o extrato aquoso de P. edulis não mostrou efeitos depressores centrais específicos, apenas “não-específicos”, sem definição clara.

O estudo que consistia em uma investigação sobre os efeitos centrais também de P. edulis, demonstrou que o extrato aquoso da planta prolongou o tempo de sono induzido por barbitúricos e por morfina, além de bloquear parcialmente os efeitos estimulantes induzidos por anfetamina.

Alguns pesquisadores brasileiros afirmam que P. edulis é usada tradicionalmente para tratar distúrbios centrais, enquanto cientistas indianos sugerem o contrário devido à semelhança morfológica com P. incarnata.

Essas divergências ressaltam a necessidade de estudos consistentes sobre os efeitos das duas espécies.

Um grupo de pesquisa atualmente investiga os efeitos centrais de P. edulis, identificada taxonomicamente, revelando efeitos ansiolíticos, hipnóticos e sedativos sem afetar a atividade motora.

A escolha das partes da planta para a preparação do extrato é crucial, pois partes inertes podem prejudicar os efeitos desejados. Por exemplo, as raízes de P. incarnata, se presentes no extrato, podem adulterar os efeitos ansiolíticos.

A via de administração também é relevante, sendo a via oral a mais comum entre a população, apesar dos estudos frequentemente usarem a via intraperitoneal, o que pode divergir na ação das drogas.

Foi realizado um estudo com 65 pacientes dependentes de opiáceos constatou que o extrato de P. incarnata foi benéfico no tratamento dos sintomas mentais de abstinência, com redução significativa em comparação com clonidina e placebo.

Em outro estudo, pacientes com ansiedade generalizada tratados com cápsulas de extrato de P. incarnata apresentaram resultados semelhantes ao oxazepam, uma benzodiazepina, embora os efeitos tenham ocorrido mais lentamente.

O extrato demonstrou vantagens, como ausência de efeitos colaterais prejudiciais ao desempenho ocupacional.

Na ciência, há discussão sobre quais substâncias nas plantas de Passiflora são responsáveis por seus efeitos. Alguns pensam em alcaloides, outros em flavonoides. Alguns acham que a mistura de diferentes substâncias é que faz o efeito.

Como não há acordo, as pesquisas continuam em diferentes partes do mundo.

Conclusão

Em resumo, a busca pelo entendimento dos componentes ativos das plantas de Passiflora e seus efeitos continua. Enquanto alguns apontam para alcaloides, outros para flavonoides, e há também quem sugira uma combinação de diferentes substâncias. Com a falta de consenso, as pesquisas persistem globalmente.

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