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PLANTAS ESTIMULANTES: CAFÉ (Coffea arabica)

Saúde e bem-estar

PLANTAS ESTIMULANTES: CAFÉ (Coffea arabica)

esfitz
Escrito por esfitz em 17/04/2024
Planta de Coffea arabica

Nome científico

O café como conhecido tradicionalmente é, na verdade, a semente de uma espécie chamada popularmente de cafeeiro.

Pertencente à família botânica Rubiaceae, seu nome científico é Coffea arabica.

No entanto, existem aproximadamente 100 outras espécies do gênero Coffea, entre as quais se incluem:

  • Coffea canephora (que, junto com a Coffea arabica, responde por mais de 70% do café cultivado para fins comerciais) e
  • Coffea liberica, cultivada em pequena escala para os mesmos fins.

Nome popular

A planta Coffea arabica é comumente conhecida pelo nome “café” em território brasileiro, refletindo uma concordância no uso dessa planta.

Originalmente, as pessoas usaram o termo “café” para se referir à bebida feita com suas sementes torradas, embora em algumas regiões também a chamem de “cafeeiro” ou “cafezeiro”.

Informações botânicas

O cafeeiro é um arbusto que raramente ultrapassa os 4 metros de altura.

As folhas do cafeeiro apresentam ondulações nas bordas, e as flores brancas estão distribuídas ao longo dos ramos.

Além disso, têm uma coloração que varia entre verde e cinza, se tornando mais verdejantes à medida que amadurecem.

Os frutos são ovalados e mudam de cor conforme o estágio de desenvolvimento da planta: verdes no início, vermelhos em estágio médio e pretos quando maduros.

As sementes, que são tradicionalmente utilizadas, possuem uma polpa adocicada e aromática.

O cafeeiro prefere regiões de clima ameno, solos férteis e sem excesso de água, e tende a se desenvolver melhor em locais sombreados.

Sua temperatura ideal está entre 18 e 22°C, sendo pouco tolerante a baixas temperaturas.

Geralmente, não prospera em altitudes abaixo de 500 metros, especialmente a espécie Coffea arabica.

Histórico

A história do café remonta à antiga província de Kaffa, hoje conhecida como Etiópia.

Não há evidências concretas sobre quando a planta começou a ser usada para fazer a bebida estimulante, porém, algumas lendas sugerem sua origem.

Uma das mais famosas conta que, há cerca de mil anos, um pastor chamado Kaldi notou que suas cabras ficavam mais agitadas depois de mastigar frutos vermelhos de uma planta comum na região.

Curioso, Kaldi experimentou as sementes e se sentiu mais alerta.

Ele compartilhou sua descoberta com um religioso local, que também experimentou a bebida, levando à sua disseminação.

Já a sua comercialização começou por volta do século XV, no Iêmen, e se espalhou pelo mundo árabe.

Os árabes mantinham segredo sobre o cultivo e preparo do café devido a questões políticas, mas as sementes eventualmente chegaram à Europa através das colônias alemãs em Java e na Índia, iniciando sua difusão global.

Dados químicos e farmacológicos

A cafeína (1,3,7-trimetilxantina) é o principal componente químico do café, mas também está presente em outras plantas como guaraná e erva-mate.

Sua ação no sistema nervoso central resulta em efeitos estimulantes, reduzindo a fadiga, melhorando a concentração e a capacidade cognitiva.

No entanto, o consumo excessivo pode levar a efeitos indesejados, como tremores e insônia.

Além do café, guaraná e erva-mate, a cafeína está presente em:

  • medicamentos para dores,
  • enxaquecas e
  • terapias eletroconvulsivas.

Ela atua estimulando o sistema nervoso central e potencializando o efeito analgésico de algumas drogas.

Seu mecanismo de ação envolve o antagonismo dos receptores de adenosina, especialmente os tipos A1 e A2, resultando em efeitos estimulantes.

A adenosina é considerada um neuromodulador por agir modulando a liberação de diversos neurotransmissores, incluindo:

  • acetilcolina,
  • dopamina,
  • noradrenalina,
  • GABA e a
  • serotonina.

Estudos mostram que a cafeína é bem absorvida pelo trato gastrointestinal e tem afinidade maior pelos receptores A2.

O sistema nervoso central também é estimulado pela cafeína, por meio dos nervos autonômicos colinérgicos do trato gastrointestinal.

Os efeitos estimulantes da cafeína resultam do bloqueio dos receptores de adenosina, influenciando a neurotransmissão de dopamina, semelhante a outros psicoestimulantes.

Dois tipos de evidências reforçam essa hipótese:

  • primeiro, pelo fato de que a estimulação motora induzida pela cafeína pode ser evitada por drogas que bloqueiam receptores dopaminérgicos ou que produzam a depleção de dopamina;
  • em segundo lugar, pela crença de que os efeitos reforçadores da cafeína sejam dependentes da dopamina, uma vez que esse neurotransmissor é crucial em casos de estabelecimento de reforço positivo.

A compreensão do que é reforço positivo é necessária para compreender a questão da dependência química a diferentes compostos e, no caso da cafeína, existe certa polêmica a respeito disso.

Um reforço positivo é uma situação que aumenta a probabilidade de um determinado comportamento ocorrer em função de ter causado uma sensação prazerosa.

Dessa maneira, drogas psicoestimulantes causam dependência em função de serem reforçadoras, ou seja, os efeitos prazerosos produzidos reforçam a repetição do uso.

Nesses casos, muitas evidências científicas afirmam que é a dopamina o neurotransmissor que regula tais processos.

E, se a cafeína atua como um antagonista de receptores de adenosina – e isso interfere na quantidade de dopamina liberada – a probabilidade de que ocorra tolerância e dependência se torna muito grande.

Uma grande quantidade de trabalhos científicos afirma que os indivíduos que fazem uso constante da cafeína podem desenvolver tolerância e apresentar sintomas de abstinência com a interrupção do uso.

Esses sintomas podem incluir:
  • dores de cabeça (sintoma mais comum),
  • letargia;
  • apatia;
  • cansaço;
  • tremores;
  • perda do controle sobre movimentos finos,
  • falta de concentração,
  • irritabilidade e
  • distúrbios gastrointestinais.

Esses sintomas podem aparecer 12 horas após a última ingestão de cafeína.

O Manual de Diagnóstico e de Estatística dos Distúrbios Mentais (DSM-IV), reconhece alguns distúrbios relacionados ao consumo de cafeína, incluindo:
  • intoxicação cafeínica,
  • ansiedade induzida por cafeína e
  • distúrbios do sono

mas não reconhece, por insuficiência de dados, a cafeína como droga de abuso ou ocorrência de dependência, física ou psicológica.

Com relação à sua possível toxicidade, existem diversos relatos na literatura acerca de seus efeitos tóxicos.

Muitos desses estudos investigam os efeitos do consumo de café sobre o feto durante a gestação, visto que a cafeína e seus metabólitos podem atravessar a placenta, afetando o desenvolvimento fetal.

Estudos com animais de laboratório afirmam que a administração por via intraperitoneal de doses sub-letais de cafeína, na segunda semana de gestação de fêmeas, resulta em uma alta frequência de fetos mal formados, principalmente com má formação esquelética.

No entanto, é importante ressaltar que esses efeitos tóxicos, embora bastante descritos em animais de laboratório, não se encontram muito bem documentados em humanos.

De qualquer forma, gestantes devem reduzir as doses consumidas diariamente.

A cafeína em doses elevadas pode aumentar o cálcio intracelular, levando a tremores involuntários e hiperestimulação cardiovascular com aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial.

A intoxicação cafeínica é rara, mas pode causar sintomas como:

  • tonturas,
  • perda do equilíbrio,
  • náuseas ou vômitos,
  • diarreias,
  • câimbras,
  • cansaço e
  • irritabilidade.

Para um adulto saudável, a dose letal de café é relativamente alta (70 a 100 xícaras).

Conclusão

Em suma, a cafeína, amplamente consumida em todo o mundo, pode ter efeitos significativos no organismo humano, tanto positivos quanto negativos.

Enquanto suas propriedades estimulantes podem melhorar a concentração e o desempenho físico, o consumo excessivo pode levar a sintomas adversos e até mesmo à intoxicação.

Durante a gravidez, é crucial exercer cautela devido aos potenciais efeitos no desenvolvimento fetal. Embora os estudos em humanos ainda sejam limitados, evidências em animais sugerem que a cafeína em doses elevadas pode ter impactos adversos.

Portanto, é essencial que os consumidores estejam cientes dos riscos associados ao seu uso e busquem um consumo equilibrado e consciente.

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